terça-feira, 17 de maio de 2011

Inteligência artificial: o computador é capaz de ter moral

O filósofo René Descartes, fundador da filosofia moderna, dizia que "a razão é um instrumento universal que pode ser usado em toda a espécie de situações". Em Portugal, existe um investigador do Centro de Inteligência Artificial da Universidade Nova de Lisboa (CENTRIA) que acredita nessa mesma lógica. E vai mais longe. A razão é tão universal que, um dia, os robôs terão, além da capacidade de raciocínio do homem, sentimentos e até moral. Luís Moniz Pereira decidiu investigar essa característica dos seres humanos e o seu último trabalho acaba de ser publicado no "International Journal of Reasoning-Based Intelligent Systems".




Dar livre-arbítrio ao computador era a ambição inicial do cientista português. Mas como se põe uma máquina a pensar com ética? Primeiro, Moniz Pereira programou 12 dilemas morais. "Testes clássicos com mais de 40 anos aceites pela comunidade de psicólogos" tirados directamente do livro "Moral Minds" de Marc Hauser, professor de psicologia da Universidade de Harvard, explica o investigador. Após programar possíveis decisões e resultados lógicos no computador, a máquina fez as suas escolhas. Resultado? O computador deu as mesmas respostas que um ser humano daria. No futuro, nada impede que um robô tenha moral.



Com as novas técnicas de programação que o investigador desvendou com o estudante indonésio Ari Saptawijaya, abriram-se as portas para estudar situações mais complexas. "Mostrámos que é possível simular o raciocínio humano e a moral num computador", conclui Moniz Pereira. Nesta área da inteligência artificial - a moral computacional -, "o robô analisa futuros possíveis e toma decisões, tendo em conta as suas consequências", acrescenta.



Um dia, máquinas programadas com fundamentos da moral humana vão ser capazes de tomar decisões autónomas. Irrealista? "De todo", responde Moniz Pereira. "A moral é um fenómeno natural como qualquer outro, e, por isso, passível de ser estudado em laboratório. Dentro de 30 a 40 anos será vulgar". A tese é uma resposta à tese criacionista. "A moral nasceu com a evolução, não é criação de Deus. É tão darwinista como os órgãos do nosso corpo", defende o cientista.



No mundo futuro de Moniz Pereira há lugar para cérebros artificiais.



Mais objectivos que homens A investigação em inteligência artificial em Portugal é vasta, mas a área da moral computacional é recente. Moniz Pereira estuda-a há três anos. "Quando começamos a ter robôs mais autónomos, a movimentar-se em situações imprevisíveis, temos de lhes dar regras de comportamento gerais". A evolução tecnológica leva a que o homem esteja cada vez mais dependente do computador. É o caso da exploração do espaço ou do fundo marinho, situações em que as máquinas não têm possibilidade de comunicar com os seres humanos e têm de decidir sozinhas e com rapidez. Os robôs podem até ser mais objectivos que o homem, uma vez que têm maior capacidade de memória e poder de cálculo, diz Moniz Pereira.



Mas vão os computadores superar a inteligência humana? "Os homens não vão ser mais inteligentes que as máquinas e vice-versa. A inteligência de ambos irá evoluir em conjunto", acredita Moniz Pereira. Mas, se isso acontecer, significa que o homem "conseguiu atingir níveis mais vastos de complexidade": as limitações do computador são as dos homens.



Para Moniz Pereira, tudo o que o homem é capaz de fazer, o computador também fará. "A ideia de que só o ser humano pode ter espírito, alma e outras características humanas é uma ideia antropocêntrica que está a prejudicar o progresso científico", admite. E a religião aproveita o senso comum para ser melhor aceite - acusa.



"Ao evoluir, o robô há-de seguir o caminho que nós seguimos". Se a ideia assusta, é porque "desconfiámos de nos próprios!"



A máquina pensa, a máquina aprende, tem consciência e até já mente. E se um dia perdemos o controlo do nosso duplo artificial? "Mania dos humanos", responde o cientista que já recebeu um doutoramento Honoris Causa da Universidade de Dresden: "A nossa condição natural é não controlar tudo. A crise dos mercados financeiros provou isso."



"O nosso conhecimento só cresce porque estamos rodeados de desconhecido e o computador é um instrumento amigo e útil, que nos permite conhecer-nos melhor e resolver problemas", refere o cientista. O medo de que a criatura se revolte contra o criador vem da noção de o próprio ser humano já o ter feito.



"Desde que fomos expulsos do paraíso e resolvemos gerir o nosso futuro, perdemos o controlo. Tanto que a evolução da espécie humana tem sido uma sucessão de guerras e tecnologia que fica fora do controlo, como aconteceu na central nuclear de Tchernobyl". "É o preço da liberdade", remata o cientista.



"Há coisas que estão para além do nosso controlo e imaginação. Não discutimos se devíamos ter criado a internet, pois não?".



A robótica inteligente está na moda e continuará a estar: "Os problemas do conhecimento e da tecnologia resolvem-se com mais conhecimento e mais tecnologia", conclui o investigador.

Rui Cruz nº25

terça-feira, 10 de maio de 2011

Computador “bate” médicos a encontrar uma deficiência hormonal

Se se mostrar as caras das pessoas a um computador, este faz um melhor trabalho do que os médicos no reconhecimento dos sintomas de um problema hormonal raro.
O autor do estudo e um pesquisador na Universidade de Ludwig-Maximilians, na Alemanha, escreveu um e-mail para Reuters Health. Nele, explicou que ficou surpreendido com os resultados do estudo, pois estava à espera que os resultados obtidos pelo computador fossem similares aos obtidos por médicos, e não que estes últimos fossem ultrapassados.
Pessoas com acromegalia produzem hormonas do crescimento em excesso, causando uma variedade de sintomas. Dos físicos, destacam-se um maxilar inferior largo, um crescimento anormal da língua, dentes demasiado espaçados e ossos demasiado desenvolvidos na testa e maçãs do rosto. Cerca de 6 em cada 100.000 pessoas sofrem de acromegalia.
Para este estudo, os pesquisadores seleccionaram fotografias frontais e de perfil de 57 pessoas com acromegalia e de 60 sem esse problema. Todos os participantes eram caucasianos e com idades próximas. Foi criado um programa de computador que analisa as características faciais, como a distância entre traços faciais.
O computador obteve melhores resultados na identificação das pessoas doentes, ultrapassando os médicos especialistas.
O autor do estudo, concluiu que o programa de computador é melhor a detectar a informação através de apenas uma fotografia, ao contrário de um médico. Os médicos tiveram desvantagens pelo facto de terem de fazer o diagnóstico através de uma fotografia. Teriam melhores resultados se tivessem tido a oportunidade de examinar pessoalmente os pacientes, incluindo analisando os pés e as mãos (que sofrem alterações com o excesso da hormona).
O programa é de elevada utilidade para detectar casos iniciais ou não tão marcados de acromegalia, pois o software acertou em cada 6 de 10 pessoas doentes, e os médicos apenas 4 em 10. A detecção do problema em desenvolvimento inicial, antes de passar a ser grave, facilita o tratamento mais cedo que pode garantir um melhor modo de vida aos doentes.
Cláudia Balsa, nº8

terça-feira, 3 de maio de 2011

Robô de descartar bombas

A Universidade de Greenwich juntou esforços com uma empresa de Kent para desenhar e construir um robô de descartar bombas para uso de forças de segurança, incluindo o Exército Britânico.
As organizações juntaram-se para criar um veículo ou robô leve, controlado à distância por um dispositivo sem fios (uma distância que pode chegar a várias centenas de metros), até mesmo semelhante a uma consola de jogos.
O robô inovador, que pode subir escadas e abrir portas, vai ser utilizado pelos soldados para descartar bombas em países como o Afeganistão.
Peritos do Departamento de Engenharias de Computação e Comunicação trabalham lado a lado com a empresa NIC Instruments Limited de Folkestone, fabricantes de instrumentos de segurança e equipamentos de operar e descartar bombas.
O robô construído é muito mais leve e flexível do que as tradicionais unidades de descarte de bombas, além de ser de mais fácil transporte e utilização pelos soldados. Possui câmaras que emitem as imagens ao controlador à distância, e ferramentas que podem carregar e manipular objectos delicados.
Além destes extras, ainda possui sensores de armas nucleares, biológicas e químicas. Medindo apenas 72cm por 35cm, o robô pesa 48kg e pode-se mover a uma velocidade até 13km por hora.
Este tipo de robôs pode ajudar a proteger civis e reduz os riscos de ferimentos ou morte por explosões, em caso de dúvida da presença de um explosivo em determinado local. O seu tamanho faz com que as áreas e locais onde ele possa aceder sejam mais (subir escadas e abrir portas são funções de grande utilidade em caso de edifícios), por isso considero que seja uma inovação útil para os soldados com missões que possam encontrar bombas.
Cláudia Balsa, nº8

Inteligência Artificial - Sic Notícias


16/07/08

Patrick Gnudi, nº24