Se se mostrar as caras das pessoas a um computador, este faz um melhor trabalho do que os médicos no reconhecimento dos sintomas de um problema hormonal raro.
O autor do estudo e um pesquisador na Universidade de Ludwig-Maximilians, na Alemanha, escreveu um e-mail para Reuters Health. Nele, explicou que ficou surpreendido com os resultados do estudo, pois estava à espera que os resultados obtidos pelo computador fossem similares aos obtidos por médicos, e não que estes últimos fossem ultrapassados.
Pessoas com acromegalia produzem hormonas do crescimento em excesso, causando uma variedade de sintomas. Dos físicos, destacam-se um maxilar inferior largo, um crescimento anormal da língua, dentes demasiado espaçados e ossos demasiado desenvolvidos na testa e maçãs do rosto. Cerca de 6 em cada 100.000 pessoas sofrem de acromegalia.
Para este estudo, os pesquisadores seleccionaram fotografias frontais e de perfil de 57 pessoas com acromegalia e de 60 sem esse problema. Todos os participantes eram caucasianos e com idades próximas. Foi criado um programa de computador que analisa as características faciais, como a distância entre traços faciais.
O computador obteve melhores resultados na identificação das pessoas doentes, ultrapassando os médicos especialistas.
O autor do estudo, concluiu que o programa de computador é melhor a detectar a informação através de apenas uma fotografia, ao contrário de um médico. Os médicos tiveram desvantagens pelo facto de terem de fazer o diagnóstico através de uma fotografia. Teriam melhores resultados se tivessem tido a oportunidade de examinar pessoalmente os pacientes, incluindo analisando os pés e as mãos (que sofrem alterações com o excesso da hormona).
O programa é de elevada utilidade para detectar casos iniciais ou não tão marcados de acromegalia, pois o software acertou em cada 6 de 10 pessoas doentes, e os médicos apenas 4 em 10. A detecção do problema em desenvolvimento inicial, antes de passar a ser grave, facilita o tratamento mais cedo que pode garantir um melhor modo de vida aos doentes.
Cláudia Balsa, nº8
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