Entender estas diferenças torna-se importante para que entendamos o mundo que separa a inteligência artificial da humana.
Diferença 1: Cérebros são analógicos, computadores digitais
É fácil pensar que neurónios são binários e que eles se activam a um certo limiar de tensão ou senão ficam inanimados. Na verdade o funcionamento deles é um pouco mais complexo e dependente de outra série de factores. Também lembremos que não existe apenas um tipo de neurónio o que torna difícil estipular uma regra geral para o funcionamento deles.
Basicamente dentro de cada neurónio há um circuito integrado isolado, composto por uma variedade de canais de iões e a sua membrana variada.
Diferença 2: O cérebro usa memória endereçada a conteúdo
Em computadores a informação é gravada em determinados endereços. Mesmo quando desejamos recuperar uma informação é necessário que tenhamos um índice ou façamos uma busca sequencial em todos os dados armazenados. Em contraste, o cérebro organiza a nossa memória com base no seu conteúdo, assim aquela informação que desejamos pode ser recuperada através de conceitos ou lembranças próximos. Por exemplo, pensando na palavra "raposa", podemos automaticamente activar a nossa memória relacionada a animais inteligentes, caçadas a raposas, etc.
Diferença 3: O cérebro é uma máquina massiva paralela, enquanto os computadores são modulares e de processamento em serie
Uma das nossas tendências é procurar partes específicas no cérebro. Uma das coisas boas dessa nossa simplificação é que conhecemos regiões cerebrais que são principalmente responsáveis por algumas actividades tais como: falar, comer, dormir, pensar. Não podemos esquecer, no entanto, que o cérebro não é constituído por uma junção de partes que desempenham tarefas específicas, e sim um complexo sistema que tem total interacção entre si.
Diferença 4: A velocidade de processamento do cérebro não é fixa, não existe um temporizador do sistema
A velocidade de processamento neural é sujeita a uma variedade de constantes, incluindo tempo para transmissão electroquímica de sinais. Não parece haver nenhum “relógio” central no cérebro, ou algo que sincronize o período de transmissão e recepção de impulsos.
Diferença 5: Memória de trabalho não é igual a RAM
Apesar da similaridade da nossa memória de trabalho e a RAM, um exame mais aprofundado revela importante diferenças.
Diferente da RAM, a nossa capacidade para uma memória de trabalho, isto é, aquela que utilizamos para trazer assuntos da memória e ligá-los com outros, raciociná-los, difere em tempo de processamento tal como com experiência e familiaridade.
Diferença 6: Nenhuma diferença hardware/software para ser feita com respeito ao cérebro e a mente
Durante anos tem-se imaginado que o cérebro era o hardware no qual o programa (mente) é executado. Isto levou a uma variedade de programas abstractos do funcionamento da cognição humana nos quais detalhes do cérebro humano não eram levados em conta.
Infelizmente, essa distinção encobre um importante facto: a mente emerge directamente do cérebro, e mudanças na mente são acompanhadas por mudanças no cérebro. Qualquer processamento abstracto de informação da cognição irá sempre necessitar especificar qual arquitectura neural poderá ser implementado no processo. Alguns relacionam este engano com a falha no modelo simbólico de inteligência artificial.
Diferença 7: Sinapses são muito mais complicadas do que porta lógicas
Sabe-se que o funcionamento do cérebro é baseado no envio e recepção de sinais eléctricos. Contudo esses sinais propagados dos axônios aos dentrinos são de natureza electroquímica, significando que viajam muito mais lentamente que sinais de computadores e que podem ser modulados de muitas formas. Isto acrescenta complexidade no processamento de cada sinapse e nos ensina a ser profundamente errado pensar que neurónios são meros transistores.
Diferença 8: Ao contrário de computadores, processamento e memória são realizados pelos mesmos componentes no cérebro
Computadores processam informações da memória usando a CPU e então escrevendo o resultado na memória. Nenhuma comparação pode ser feita com o cérebro. Os neurónios processam informação modificando suas sinapses que são o próprio substrato da memória.
Diferença 9: O cérebro é um sistema auto-organizado
Aprofundamento da experiência e processamento natural da informação são coisas simples que não acontecem com microprocessadores tradicionais. Por exemplo, o cérebro é um circuito auto-reparável, algo conhecido como plasticidade traumática, toma acção após algum dano. Isto pode levar a uma variedade de mudanças positivas para adaptação. Em outras pode resultar em uma profunda disjunção cognitiva.
Diferença 10: Cérebros tem um corpo associado
Isto não é tão trivial quanto parece ser. Uma grande variedade de evidências de outros domínios sugerem que nós estamos apenas a começar a entender a importância da informação do corpo no processamento da informação.
Diferença Bónus: O cérebro é muito, muito maior do que qualquer computador actual
Acurados modelos biológicos do cérebro tem incluído em torno de 225,000,000,000,000,000 (225 milhões de biliões) de interacções entre vários tipos de células, neurotransmissores, neuromoduladores, axónios e dentrinos dentro do funcionamento do cérebro humano. Devido ao cérebro ser tão pouco linear, e devido a ele ser muito maior do que qualquer computador actual, ele parece-se como uma máquina diferente e completamente funcional. A metáfora cérebro-mente esconde esta importância, pensamentos talvez óbvios, diferem muito na necessidade de processamento computacional.
Patrick Gnudi, nº24

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