terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Robô que é capaz de tomar decisões



icub



Robôs que tomam decisões por si proprios até o momento estão restritos a filmes de ficção científica. Mas uma figura do tamanho de uma criança, com olhos grandes e um rosto branco, está se esforçando por transformar a ficção em realidade.
Seu nome é iCub, e os cientistas esperam que aprenda a adaptar o seu comportamento às circunstâncias mutáveis, oferecendo novas perspectivas sobre o desenvolvimento da consciência humana.
Seis versões do iCub existem em laboratórios da Europa, onde os cientistas estão alterando minuciosamente o seu cérebro eletrônico de maneira a que o robô seja capaz de aprender tal como uma criança.
“Nosso objetivo é realmente compreender algo que é muito humano: a capacidade de cooperar, de compreender o que outra pessoa deseja que façamos, e de podermos nos alinhar com elas e trabalhar juntos”, disse Peter Ford Dominey, diretor da pesquisa.
O iCub tem cerca de um metro de altura e conta com tronco, braços e pernas articulados e feitos de complexos circuitos eletrônicos. O robô tem um rosto branco, com traços de nariz e grandes olhos redondos capazes de ver e acompanhar o movimento dos objectos.
“Vamos jogar um jogo velho ou um jogo novo?”, perguntou o iCub a Dominey, numa recente experiência conduzida em um laboratório de Lyon, no sudeste da França. A sua voz era robótica, o que era de esperar, mas o robô fez a pergunta com uma entuação interrogativa, tal como uma pessoa faria quando fizesse uma pergunta.
O “jogo” envolvia uma pessoa que apanhava uma caixa, revelando um brinquedo que se encontrava por baixo dela. Depois, uma segunda pessoa levantava o objeto e voltava a colocá-lo no lugar. Por fim, a primeira pessoa reposicionava a caixa por cima do brinquedo.
Depois de assistir a dois seres humanos que realizaram essas ações, o iCub aprendeu como participar na diversão.
“O robô está a demonstrar que é capaz de mudar de papel. Pode desempenhar o papel da primeira ou o da segunda pessoa nessa interacção”, disse Dominey, que recebeu verbas da União Europeia para seu trabalho com o iCub.
Embora passatempos simples como esses possam parecer decepcionantes para os fãs de C-3PO –o robô dos filmes “Guerra nas Estrelas”, que se gaba de fluência em 6 milhões de formas de comunicação–, eles estão na vanguarda da robótica e apresentam claro interesse científico.

Rui Cruz nº25

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